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terça-feira, 18 de junho de 2019

O limite extremo

Viver no limite extremo é tentar a todo momento vencer o cansaço que impera a cada manhã e quando se tem a oportunidade de dormir continuar acordado. Hoje estou no limite extremo, super cansado, esperando as horas passarem, mas sei que embora podendo acordar tarde amanhã, talvez o descanso não seja o meu destino. As horas correm muito depressa, não há tempo suficiente de recarga, sempre um tijolo depois do outro. Não poderia estar fazendo isto comigo, mas talvez hoje eu ceda e vá para a cama cedo e durma o sono dos justos, tomando certa dose de medicamentos divinos.

Estou escrevendo isto para passar o tempo mesmo, pois ficar parado no lugar onde estou é uma tortura, tem sido para mim desde que retornei ao trabalho com desvio de função, estou sendo subutilizado, esta é que é a verdade, e nos momentos entre uma escola e outra, em vez de descansar vou pra rua tentar me divertir, tentar de certa forma esquecer que tenho este tipo de compromisso: estar estagnado, parado, estático, vendo minuto a minuto as horas do relógio passarem. Aqui as horas não passam, fora daqui as horas voam. Por que será?

Com dores no corpo devido aos excessos não posso crer que resistirei por muito tempo nesta rota trágica, isso porque repleta de infelicidade para mim, no limite extremo do corpo. Mas quando estou fora daqui parece que o corpo aguenta mais, parece que o cansaço some, e tudo fica muito mais normalizado. É importante mesmo tentar distinguir entre o que me faz sentir cansado e o que não me faz sentir cansado. Estar no limite extremo tem lá as suas variáveis, mas o fato é que no ambiente de trabalho o cansaço e monotonia têm imperado de forma massacrante.


By  Saulo Cruz 
Saio daqui então, desligo o computador, não vou para casa, continuo minhas peregrinações por rua afora, meu corpo pedindo descanso e eu insistindo em permanecer acordado, vai chegando tudo ao limite extremo, nem a base de medicamento eu cedo e continuo acordado, cambaleando com olhos de peixe morto. Madrugada afora viro a noite, e me quebro todinho, quando a hora da cama chega durmo 24 horas, um sono reparador, mas posteriormente a essas 24 horas, fico mais 30 horas acordado. Sem grana, mas com recursos da lábia para permanecer fazendo o que venho fazendo de mim. Envelheço precocemente com a morte à espreita e os cabelos brancos se mostrando velozmente, como poetizara Fernando Pessoa em A Tabacaria:


Com a morte a pôr humidade nas paredes e cabelos brancos nos homens,
Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada.

Meu Blog já fora mais rico de assunto e de palavras, mas quem lerá isto afinal? É muito revelador hoje escrever sobre isso, antes as letras estelares eram astronômicas, metafísicas, hoje são muito intimistas. Este texto possui duas partes, uma iniciada antes da noite cansativa, outra depois da noite cansativa, e tudo só provou que não tenho cuidado algum com minha saúde. Já joguei fora pela janela meu equilíbrio deitei tudo fora, como tenho deitado a vida: 


Come, pequena suja, come!
Pudesse eu comer chocolates com a mesma verdade com que comes!
Mas eu penso e, ao tirar o papel de prata, que é de folhas de estanho,
Deito tudo para o chão, como tenho deitado a vida.)

Para me despedir, despeço-me dizendo que as coisas ainda continuam difíceis e o cansaço ainda não me tem permitido ter frequência ao trabalho, tenho faltado bastante, não tenho tido a responsabilidade que se deve ter em setores de trabalho. Tenho fracassado em meu retorno ao trabalho, como poderei retornar à sala de aula? Eis uma questão que me entristece muito. Não posso aliar os limites extremos que venho vivendo com o trabalho, a rua se tornou então algo maçante. O trabalho então nem se fala, não pensei que eu iria cair tanto em minha vida por conta de vícios noturnos, por conta quinquilharias, pois não é nada que presta que estou fazendo, nada que presta é que estou trocando o meu descanso pelas horas vagabundas.







sexta-feira, 31 de maio de 2019

Às claras de novo

Após uma noite às claras lá estava ele novamente vivendo sua vida de trabalho monótona. Estar sentado numa cadeira. Diante dele o livro O Retrato de Érico Veríssimo. Neste dia em especial não queria ler, não estava mesmo era suportando a lentidão do relógio que devagar indicava as horas minuto a minuto.

Diante disso já acumulava muitas faltas e talvez não estivesse mesmo era suportando estar ali naquele lugar que definitivamente não era para si mesmo. Contudo o que não era para si mesmo era chegar virado todos os dias tendo recostado alguns minutos em seu travesseiro e cedinho "aterrissar" longe assim e na escola. Isso não. Isso teria de ser revisto, deveria dormir às 23 hs todos os dias para chegar bem ao trabalho, mas não, ficava por conta de sua ansiedade e das coisas erradas que fazia.


Isso já se tornara desespero, aliás tudo se firmara para ele como um desespero: os ônibus lentos, a chegada à escola e a quantidade de cigarros que vinha fumando.

Na verdade aquilo não era nada para ele, essa monotonia aliada às noites desesperadas. Por que passa a noite em claro mesmo sabendo das consequências que teria pela manhã? Ele, na verdade, não sabia era controlar suas experiências cotidianas, vinha se envolvendo demais com gente errada e essa gente não era muito lá boa de se mexer.  

Era necessário um equilíbrio que não poderia lhe faltar em hipótese nenhuma, necessitava pautar sua vida definitivamente com equilíbrio.Nesta hora em que escrevo estou virado e contando o relógio para que as horas passem absurdamente rápidas. Mas não, é necessário um pouco de sofrimento diante dessa proposta de ficar desviado de função. Enfim, hoje passará, mas e amanhã e depois de amanhã? Tudo ficará por conta de minha própria responsabilidade, terei de me implicar em tudo isso, assumir uma postura diferente.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2019

A mortalidade

Com toda frialdade que exige a verdade, essa é necessariamente uma só: morreremos. Depois de passar por experiências de proximidade com a morte é tolice querer empreender novos projetos quando se passa dos 40. Ora, mais 20 anos, mais 10, mais 30 quem sabe, mas o corpo sente as pancadas que a vida dá. Então em confronto com a mortalidade a espiritualidade deve se revelar muito mais aguçada e cheia de mimos para com o paradisíaco. Em a Divina Comédia de Dante, é possível revisitar toda uma extensão de trechos que destinam o ser a seu destino categórico e merecido, dando à vida pouca valia e à mortalidade entrechos de pura verdade eterna.O Paraíso é necessário.

Como na juventude os pensamentos de jovem são cheios de luzes de imortalidade e aos 40 não é nada promissor, assim a realidade mortal sobrevém indelével. Jarros feitos para água e para flores não durarão para sempre como não durarão os estofados da sala tampouco os solados dos sapatos novos do vovô, bastante orgulhoso de seus trajes, eles lhe diziam muita coisa, embora tenha sido sepultado como simples mortal. Achei certa vez que ele jamais morreria, não o vi em seu sepultamento, falha minha, erro grosseiro. Estava entregue ao trabalho que me assediava e que não dava muito certo, não tinha maturidade. Nem para com a morte nem para com a vida.

Algumas falhas do sistema não permitem mais que eu diga como dizia em Letras Estelares que essas falhas são como em Matrix, detectáveis por entes escolhidos, talvez a realidade corpórea comece a dar seus vacilos e a dizer que a mortalidade só é sede do pensamento na juventude e o grande escolhido é escolhido jovem, quando capaz, voraz. No entanto, ainda existe um pensamento redentor que impulsiona o ente à vida, ainda existe um todo capaz de engolir tudo que não presta para enfim destruir a ilusão. A mortalidade assim ficaria por conta de quem não fosse capaz de assistir à apoteose do sistema vigente de coisas. Mas mesmo assim é difícil como erigir um novo blog, que ao menos contente com o antigo, que o 2 se inspire no primeiro e que a imortalidade chegue por fim triunfal como vida desenhada positivamente.

Por lubasi
Por nuvens muitos ex-cadáveres passaram e passarão vitoriosos, cintilantes, estelares, cambiantes em razão de uma mutação mortalidade versus imortalidade, não é necessário, pois, caminhar por todas essas cruzes, por todos esses grilhões, talvez seja necessário apenas crer, mais 30, mais 20, não sei, mas quando se chega aos 40, a questão que nos afunda a alma é esta: estamos ainda aqui e até quando resistiremos. Se ficarmos velhos e à míngua, se ficarmos por aqui e concluídos, se ficarmos com projetos bem mais avançados do que imaginaríamos em ter e reter. Sim, os bons projetos virão, mas as nuvens fatalmente não faltaram à nossa caminhada.