Mostrando postagens com marcador Família. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Família. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 12 de junho de 2019

A morte de entes queridos

Quando meu tio Wilson morreu pensei logo em minha mãe, de fato ela pode falecer também a qualquer momento e isso é o que me apavora. Perder mãe deve ser a coisa mais horripilante do mundo, ficarei sem chão, ela é minha única amiga. Em relação ao tio Wilson, o baque está vindo agora, porém em relação a todos os mortos da família, inclusive ele, parecem estar presentes, é como se a morte não fosse um desligamento ou de certa forma não significasse que eles não estivessem presentes. Quando digo baque, digo de forma paradoxal, pois sou sempre frio, mas o baque é que parece que a mortalidade está mais perto do que se imagina, inclusive a minha própria morte, 40 anos eu tenho, não sou imortal e venho me descuidando de minha saúde, o baque é que ele, o tio Wilson, parece não ter morrido, parece que ele ainda está presente e parece estar alertando a mim sobre os perigos dos excessos. No entanto, mesmo sem excessos, a morte pode acontecer a qualquer momento.

By Sérgio Câmara
Um dia peguei um táxi e o taxista que era pastor evangélico disse sem me conhecer que se eu não parar com os excessos fatalmente terei de me despedir deste mundo mais cedo. É fato que não quero me despedir deste mundo sem ao menos ter vencido na vida e ter parado com tudo que me prejudica, os excessos têm de acabar e as dívidas também. Pelos excessos é que a custo venho trabalhar e não tenho dúvidas de que de longe o tio Wilson me observa. Como minha mediunidade é fraca não consigo vê-lo, mas já há relatos de gente que o viu em seu quarto, mas eu consigo senti-lo quando faço coisas erradas. Já a situação da viúva dele, as coisas parecem estar mais complicadas, pois agora ela vive sozinha e isso deve ser muito ruim, às vezes ela busca refúgio em muitas pessoas erradas e ela teme também por morar sozinha na casa em que viveu com o Wilson.

Enfim, o tio Wilson me deixou assustado, ele se foi de uma maneira muito rápida e as pessoas quando morrem não deixam apenas saudades, as pessoas deixam as marcas da dependência de que nutriam as pessoas que as amavam. Ninguém queria que ele fosse, nem ele mesmo, um artista plástico de primeira, talvez tenha contraído o câncer devido à exposição prolongada à tintas tóxicas de que fazia uso sem proteção. Ele era muito divertido por sua inteligência, apesar de circunspecto e extremamente sistemático, sua morte só reforça a morte de todos os meus parentes inclusive a possibilidade de minha própria. Chega uma fase da vida da gente que os entes queridos se vão e vão deixando a nós sós neste mundo cão.

Meu primo Marcos, uma promessa; vovó, uma dádiva; vovô, um exemplo; tio Wilson, um prolongamento extrafísico da arte; papai, muito parecido comigo e que se foi apenas aos 46 anos de idade. Enfim, a morte é o fim do ciclo e pela qual temos de passar, infelizmente; eu, de minha parte, só espero que seja na paz do Senhor Jesus Cristo.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2019

A mortalidade

Com toda frialdade que exige a verdade, essa é necessariamente uma só: morreremos. Depois de passar por experiências de proximidade com a morte é tolice querer empreender novos projetos quando se passa dos 40. Ora, mais 20 anos, mais 10, mais 30 quem sabe, mas o corpo sente as pancadas que a vida dá. Então em confronto com a mortalidade a espiritualidade deve se revelar muito mais aguçada e cheia de mimos para com o paradisíaco. Em a Divina Comédia de Dante, é possível revisitar toda uma extensão de trechos que destinam o ser a seu destino categórico e merecido, dando à vida pouca valia e à mortalidade entrechos de pura verdade eterna.O Paraíso é necessário.

Como na juventude os pensamentos de jovem são cheios de luzes de imortalidade e aos 40 não é nada promissor, assim a realidade mortal sobrevém indelével. Jarros feitos para água e para flores não durarão para sempre como não durarão os estofados da sala tampouco os solados dos sapatos novos do vovô, bastante orgulhoso de seus trajes, eles lhe diziam muita coisa, embora tenha sido sepultado como simples mortal. Achei certa vez que ele jamais morreria, não o vi em seu sepultamento, falha minha, erro grosseiro. Estava entregue ao trabalho que me assediava e que não dava muito certo, não tinha maturidade. Nem para com a morte nem para com a vida.

Algumas falhas do sistema não permitem mais que eu diga como dizia em Letras Estelares que essas falhas são como em Matrix, detectáveis por entes escolhidos, talvez a realidade corpórea comece a dar seus vacilos e a dizer que a mortalidade só é sede do pensamento na juventude e o grande escolhido é escolhido jovem, quando capaz, voraz. No entanto, ainda existe um pensamento redentor que impulsiona o ente à vida, ainda existe um todo capaz de engolir tudo que não presta para enfim destruir a ilusão. A mortalidade assim ficaria por conta de quem não fosse capaz de assistir à apoteose do sistema vigente de coisas. Mas mesmo assim é difícil como erigir um novo blog, que ao menos contente com o antigo, que o 2 se inspire no primeiro e que a imortalidade chegue por fim triunfal como vida desenhada positivamente.

Por lubasi
Por nuvens muitos ex-cadáveres passaram e passarão vitoriosos, cintilantes, estelares, cambiantes em razão de uma mutação mortalidade versus imortalidade, não é necessário, pois, caminhar por todas essas cruzes, por todos esses grilhões, talvez seja necessário apenas crer, mais 30, mais 20, não sei, mas quando se chega aos 40, a questão que nos afunda a alma é esta: estamos ainda aqui e até quando resistiremos. Se ficarmos velhos e à míngua, se ficarmos por aqui e concluídos, se ficarmos com projetos bem mais avançados do que imaginaríamos em ter e reter. Sim, os bons projetos virão, mas as nuvens fatalmente não faltaram à nossa caminhada.