quinta-feira, 31 de janeiro de 2019

O equilíbrio e o desequilíbrio

De onde vem o equilíbrio? Certamente vem de uma mente esvaziada de poluição que ela mesma produz. O vazio, a folha limpa, é necessário limpar-se diariamente de experiências devastadoras à alma. Isso ela sente e reproduz em sequência. As marcas que carregam os que trabalham, as marcas que carregam os que se atarefam, as marcas invisíveis de quem assumiu um comportamento desequilibrado serão fatalmente encontradas como feridas físicas. Como em espelho refletido, o comportamento mal assumido, em atrito com o cerne do ser, esse se espalha rua afora contado em falsa euforia. O ser certamente prisioneiro de um corpo em desequilíbrio com o ambiente sofre com lágrimas de elefante. Não há choro corrosivo, há uma mistura de sal e água que desce sem o ente perceber. Lá dentro a forma do desequilíbrio o corrói. 

O equilíbrio estará então na necessidade de cada um de preservar sua sanidade por o maior espaço de tempo possível, quando dormimos por exemplo. Ao dormir, mostramos ao mundo que a vida existe, mesmo inerte. Um sonho possível. Ao despertar estamos descansados da euforia arrítmica que nos seduzia horas antes em pensarmos e realizarmos coisas desusadas e febris à alma. Nenhum nem ninguém nasceu para encher-se e entupir-se de lixo invisível.. O cosmos é puro e límpido, irradiando sua potência a todo aquele que pode exercer uma compreensão mais aberta do que seja ele: um clarão límpido.Na nascente de água brota a vida, pois ali existe o princípio básico do equilíbrio e da pureza.

Por Enrique Ferrer

A energia dispensada ao manter-se bem consigo mesmo é coincidente com a leveza de alma, como pluma entre degraus. Plana por lugares de sonhos de cidades desconhecidas, sobrevoa e corre no ar como aeronave. Uma cidade encontrada, com tudo que possui uma cidade, mas tecnicamente desconhecida. No sono semi-profundo pousa a consciência e a experiência do outro lado. O equilíbrio é estar sóbrio sob aquelas circunstâncias. O outro lado que também é responsável pela operação de desequilíbrio, a sujeira mora nos rodapés da alma. Pode insurgir a qualquer momento, desrespeitando o ente sacrificado ao estrangeirismo dessas ideias desequilibradas que, postas em prática, depauperam o ser.

Enfim, para arrancar-se da prisão é necessário muitos encontros com o interior de si, o âmago. Não é possível sobreviver sem que um dia o equilíbrio trabalhado advenha, e com muito esforço, é necessário transgredir certa ordem de coisas a fim de que não mais se repitam insistentemente os tropeços e desvarios. Sub-repticiamente as horas correm repletas de pensamentos ignóbeis, mas fortemente loquazes. Assim é necessário não só silenciar as vozes dessa cidade desconhecida, pois nos seus rodapés residem os loucos desequilibrados, como também na realidade palpável poder correr com a mente para o broto da vida, com seu verdinho promissor.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2019

Postagens Antigas

Foram-se todas as postagens do antigo blog e necessito retroagir e tentar recuperar em letras toda a quantidade de esforços perdidos. Trabalho árduo deverá ser feito para que num futuro de cinco anos eu tenha tamanho número de postagens. A energia de outrora era muito vivaz, a de hoje nem tanto. Entretanto, a essência da escrita permanece, pois o oleiro incide no mesmo, agora cada parágrafo é de difícil empresa, uma empreitada dificultosa. Foi como incinerar biblioteca bem preservada e guardada senão com chaves mas com senha.

Hoje o que tenho a dizer é sobre uma certa cobrança enfileirada que chega de lugares mil e pousa sobre mim para que eu publique as ideias que na verdade sequer existem visivelmente e isso é um fato interessante, pois por não serem visíveis somos julgados tolos pelo silêncio. O silêncio incomoda a plateia; e que plateia seria essa? Um alguém. Na verdade, as ideias se tornam visíveis quando aparecem no momento único da escrita com o portal aberto de outra dimensão e da dimensão que se chega, vem e colabora, ali sim pode coexistir o eixo duplo da existência da ideia. Ali, exerce sua força empreendedora de escrita, vem de lugares distantes, ideias muito gratas, tenras e como brotos de plantas bem verdinhas.

A cobrança passa pela ideia de tolice que passa pelo tolo calado, pelo tolo sentado, pelo tolo olhando, contemplando apenas as coisas como se soubesse algo, mas isso fica tão batido que tudo fica muito pela metade, assim predomina o que ele não oferece, predomina aquilo que ele não concede aos circunstantes. O afã pela glória já existiu nesse homem por exemplo, os excessos, as manias de grandeza que ora o soerguem é que o apalpam para a visitação do pensamento, daí a cobrança, ninguém pode ser assim. Tanto mais ter deletado todas as postagens do blog letras estelares e não poder sequer reler o que sentiu: um blog de muita construção e sentimento.

É um diálogo cortado para sempre, terei de linkar de novo para o mundo aquelas linhas, fabricadas e originadas em estrelas e em letras, para o mundo estelar, grandiosas, fortes, arrasadoras, foi o fim da linha. Um sinal de fraqueza pura de espírito, apagar de luzes de algo espetacular, aquelas postagens antigas tinham muito de mim, carregavam em si dedilhadamente o símbolo e uma expressão.Pode ser que aqui se repitam muito de algumas delas, pode ser que crave ideias e imagens como fotografias e memórias e multiplique aquilo que foi o I e o letras estelares II seja mais forte e elegante do que o anterior. Faltava elegância e mais poesia naquelas cenas, talvez por isso apaguei. Vi muito forte planos dimensionais de extremo atrito existencial e deveras conflituoso.

Agora é hora de muito trabalho, muita empreitada, será difícil, mas não impossível, eis o novo blog.